segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
DECIDIR O QUE SER - FIM
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
DECIDIR O QUE SER - 1
Eu tinha dez anos quando me caiu nas mãos, apareceu lá em casa não sei como, o romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoisvski. Claro que eu só fui saber que era de um escritor russo muito tempo depois, e que era uma das grandes obras da literatura universal. O importante é que fiquei curioso e comecei a ler aquele romance como se o tempo não existisse. O livro tinha capa dura e na quarta capa uma fotografia do autor de longas barbas e olheiras profundas. Ali decidir que em algum tempo eu seria escritor. Só não sabia quando.
A leitura daquele romance, um catatau com mais de 500 páginas, foi uma loucura. Eu lia escondido, e não tinha horário certo. Naqueles anos eu estudava em um grupo chamado de Miguel Borges, no bairro Barroção, na zona sul de Teresina. Lembro que aundo estava lendo o romance ia para a escola pensando no livro sem parar. No recreio eu não saia para brincar com os amigos, e algumas vezes nem para merendar meu chocolate com leite ou o mingal de aveio, merendas daquele época. Ficava na sala pensando naquela história fantástica daquele rapaz perturbado que tinha matado uma velha ranzinza. Mas talvez o romance fosse apenas uma desculpa para não sair da sala. Na verdade eu era um garoto frágil que sofria de asma, e muitas vezes não me dava vontade de nada. Minha professora Jacira notando minha não saída da sala uma vez pegou na minha testa e perguntou se eu estava doente. Eu disse que não, mas devia está porque o romance não saia de minha cabeça.
Minha família mudou-se da zona sul para a zona norte, ainda bem que eu já tinha terminado de ler o livro. Terminei meu primário no Grupo Escolar Anisio de Abreu. Fiz o exame de admissão e passe a estudar o ginásio no Colégio Helvidio Nunes. Estudei sete anos naquele colégio até concluir o cientifico. Durante o ginásio e o cientifico eu precisava de livros para estudos e pesquisas. Fui esbarrar na Biblioteca Cromwel de Carvalho. Ali descobir meu mundo - os livros. Não que eu estivesse parado de ler, pois eu lia tudo, de revisas em quadrinhos, revistas de fotonovelas, gibis a bula de remédios. Na biblioteca tinha todos os clássicos da literatura nacional e muitos romances de autores estrangeiros. Lá eu reencontrei o velho Fiodor e seu romance Crime e Castigo. Foi lá que eu fiquei sabendo muita coisa sobre esse autor russo fantástico..
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
TROFÉU - OS MELHORES DO TEATRO PIAUIENSE 2025
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DRAMATURGO GOMES CAMPOS
José Gomes Campos, o dramaturgo Gomes Campos, nasceu em outubro de 1925, na cidade de Regeneração, no Piauí. Portanto, este ano de 2025 comemora-se o centenário de nascimento do dramaturgo. Gomes Campos faleceu em Teresina, em março de 2007.
Gomes Campos veio cedo para Teresina onde estudou no Colégio Diocesano e depois formou-se pela antiga Faculdade de Direito do Piauí. Na faculdade Gomes Campos continuou a praticar seus dons artisticos participando de movimentos e atividades culturais. No inicio dos anos 50 foi para Belo Horizonte onde cursos Filosofia no Seminário Maior, retornado definitivamente para Teresina em 1953, quando engajou-se nos meios teatrais. Neste ano Gomes Campos passou a trabalhar na União dos Moços Católicos, sob os auspícios da Ação Arquidiocesana de Teresina. Na UMC Gomes Campos fundou um grupo de teatro e passa a trabalhar com amadores locais.
Faziam parte do Grupo da União dos Moços Católicos Leão Sombra do Norte Fontes, o poeta H. Dobal e o escritor Claudio Bastos. O Grupo monta a peça A Dana da Morte, e apresenta no auditório do Colégio das Irmãs. Além de espetáculos o grupo da UMC ministrava cursos de teatro. Ao grupo logo depois se juntaram talentos da cena piauiense como Santana e Silva e Tarciso Prado. Santana e Silva monta com Gomes Campos a peça No Tororó, sem nome de autor, dirigida por Gomes Campos. Gomes Campos, Santana e Silva e Sombra do Norte fizeram parcerias em vários espetáculos. Santana e Silva depois funda o Teex-Teatro Experimental e o professor Gomes Campos vai exercer o cargo de professor no Colégio Diocesano.
No ano de 1967, como professor de lingua portuguesa, Gomes Campos escreveu a peça Auto do Lampião no Além, a partir de uma pesquisa da literatura de cordel, feita por seus alunos da disciplina literatura brasileira. A peça teve estreia no Diocesano e no mesmo ano apresentou-se em um festival de arte, em Fortaleza, Ceara, levada pela Academia Piauiense de Letras.
Auto do Lampião no Além tornou-se a peça mais conhecida de um autor piauiense. Participou no Rio de Janeiro do V Festival Nacional de Teatro Estudantil, em 1968, dando a Gomes Campos o troféu governador Negrão de Lima, de autor revelação do evento. A peça tornaria-se um clássico da nossa dramaturgia, e no ano de 1975, foi a única peça a se apresentar na reinauguração do Theatro4 de Setembro, em Teresina, montada pelo grupo de teatro do Centro de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares - CEPI, dirigida por Murilo Ekhardt. Auto do Lampião tee inúmeras montagens dentro e fora do estado, chegando a ser traduzida e apresentada nos Estados Unidos, na Universidade de Kansas. No ano de 1998, a peça ganha o Troféu Lusófono de Lingua Portuguesa concedido pelo governo português. Auto do Lampião no Além foi montada pelo Grupo Harém de Teatro que ganhou dzenas de prêmios em festivais nacionais de teatro.
Gomes Campos é autor ainda de Crispim - O Pescador, baseada na lenda piauiense do Cabeça de Cuia,; a Morte e a Morte de Quincas berro D'agua, adaptação do romance de George Amado, e de dezenas de textos adaptados para sala de aula.
José Gomes Campos tem seu nome perpetuada na Escola Técnica Estadual de Teatro José Gomes Campos, da Secretaria Estadual de Educação.
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
COMO ESTÁ O NOSSO TEATRO
No nosso livro História do Teatro Piauiense, coloco que o nosso teatro começou suas apresentações dentro dos cassarões e nos quintais das casas de senhores abastados da antiga capital Oeiras, ainda no século XIX. Até ai tudo bem, pois não existiam teatros ou seja a casa de espetáculos. quando a capital mudou para Teresina continuou a mesma coisa por algum tempo. Também não existia casa de espetáculos.
Hoje o Piauí conta com vários teatros e espaços aptos a apresentações tearais espalhados pelo Estado. Cidades como Bom Jesus, Floriano, Parnaiba, Picos, José de Freitas, Piripiri, União e Teresina contam com seus teatros. Só na capital são mais de quatro. a pergunta é - Onde estão os nossos espetáculos? Quem assiste nossos espetáculos? Boas refexões. Mas por que acontece isso? Culpa de quem? Preciso colocar que o teatro piauense não está em nenhum projeto de politicas culturais do governo, seja do estado ou da prefeitura. Só para ter uma ideia espaços como o Sesc e o Centro de Convenções cobram absurdos em suas pautas. Sem qualquer chance de ocupaçõa para grupos locais. Portanto, falta estimulo a circulação de e a montagem de espetáculos.
Nesse cenário adverso como grupos, companhias ou coletivos locais podem existir? Ah, tem que ser esforço da própria classe! Como? Vamos só a um dado desses grupos, companhias ou coletivos locais, muitos deles com 20, 30 e 40 anos de existência não tem sequer uma sede própria. Produzem seus espetáculos nas casas dos diretores ou de membros do próprio grupo. Negligência dos próprios grupos? Fica a discussão.
Portanto, esse é o retrato do momento de nosso teatro. que parece não está em lugar nenhum, a não ser nas redes sociais, porque a produção é escassa e sempre produzido pela iniciativa gigante de pessoas compromissadas com a profissão. Com tão pouca produção não existe continuidade e o público perde o fio da meada.
E assim infelizmente o nosso teatro continua a contar com um público de amigos ou de artistas, que nem sempre assistem aos espetáculos locais , mesmo porque peças não são feitas nem produzidas para amigos e artistas. Claro que todos contam, mas é preciso sair da bolha e alcançar o público em geral.
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
A MONTAGEM DO ESPETÁCULO
Existem alguns métodos de iniciar uma montagem teatral. Cada diretor escolhe a melhor forma de conduzir a equipe. O importante é a afinação de objetivos e, no fundo, assumir o compromisso com a montagem. Nesse assumir não conta apenas o monetário, importante sim, mas sobretudo o amor pela obra.Muitas vezes esse compromisso é o mais importante, afinal de contas trabalha-se mais satisfeito naquilo que acreditamos.
A montagem teatral é uma engrenagem. Tudo tem que ser discutido e bem avaliado para dar tudo certo. Falamos aqui sobre cenografia, figurino, luz e som, e por trás disso tudo o profissional criador de cada um desses signos do teatro. No entanto, para que tudo isso se encaixe existem outros elementos que o compõem são os atores e, mais além, o diretor e o texto a ser encenado.
Muitas teorias correm sobre o diretor de um espetáculo. Algumas terríveis e outras sensacionais. mas, como falamos cada diretor de uma montagem teatral tem seu método de condução. Para nós que vivenciamos o teatro como dramaturgo e produtor nada nos parece mais importante do que a afinação da equipe, o entusiasmo pelo resultado e a satisfação com a condução dos trabalhos. A discussão sobre a primazia de quem manda numa montagem sempre nos pareceu uma discussão meio vazia, pois se existe um diretor ele é o responsável pela condução dos trabalhos. Portanto, na maioria dos casos cabe a ele a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso do resultado. Isso também não se configura como uma regra, pois estamos falando de um trabalho de equipe, onde cada elemento tem sua importância fundamental.
O resultado de um bom espetáculo, portanto, na nossa visão está na capacidade do diretor de extrair e conduzir cada signo teatral com maestria. Não importa o método usado escolhido para a condução de todos os elementos cênicos e dos atores, afinal eles são os senhores da cena.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
DRAMATURGIA 04 - O CENÁRIO
A Cenografia diz respeito a criação do ambiente, seja no espetáculo de teatro, cinematográfico, televisivo ou mesmo na ambientação arquitetonica, criar uma cenografia é buscar os vários elementos que compôem uma cena ou um ambiente, como a iluminação, os objetos, o figurino, e mesmo os efeitos sonoros e a disposição desses signos no espaço. O responsável por essa criação é o profissional da cenograifa.
No teatro grego da antiguidade clássica já aparecia suporte denominado Deus ex Machine, mecanismos onde o ator que representava o deus surgia pendurado em cabos para resolver problemas na cena, por isso denominado "deus que desce numa máquina". Hoje esse mecanismo rápido é usado para resolver problema na trama da história.
Mais recentemente, no teatro da passagem do século XIX para o século XX usava-se muito o cenário chamado de gabinete. O palco do teatro recriava literalmente qualquer ambiente de uma casa. Um quarto era um quarto com cama, cabides, armários e tudo que se tinha direito; uma sala de casa então era um deus nos acuda-mesa, cadeiras, sofás, quadros, tapetes e objetos de usos pessoal.
Foi com diversos teóricos do teatro que o ator foi ficando sozinho no palco usando toda sua capacidade de interpretação e emoção. Muito contribuiu para isso a teoria da Biomecânica no teatro, de Vsevolod Meyerhold, nos anos 20 e 30. A biomecânica ampliava o potencial emocional de uma peça. "Se o ator permanece no palco vazio a grandeza do teatro permanece com ele".
De qualquer forma os custos economicos reduziram a ambientação no teatro, e a cenografia passou a ser apenas indicação da ação. O ator é o senhor absoluto da cena. No entanto, a cenografia continua a encantar o expectador e a encher os olhos quando bem feita e aplicada.